ALGUNS ARGUMENTOS PERTINENTES SOBRE AS VANTAGENS DA LOCALIZAÇÃO DA ESTAÇÃO DO TGV NAS OLAIAS VS ESTAÇÃO ORIENTE ...

Vários jornais noticiaram, há dias, acaloradas discussões no Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, envolvendo a Secretaria de Estado dos Transportes e a Câmara de Lisboa, por causa da altura da ponte Chelas-Barreiro, na amarração em Lisboa, defendendo uns uma altura de 42 metros e outros, 46 metros.
Para a generalidade dos cidadãos, esta será uma questão bizantina, mas, na verdade, trata-se de um assunto muito sério. Contudo, esta discussão é absurda, pois nenhum daqueles valores é aceitável. Senão, vejamos!
A ponte Chelas-Barreiro vai ficar a meio do estuário do Tejo, tendo a Ponte 25 de Abril a jusante, a uma altura de 60 metros, e a Ponte Vasco da Gama a montante, a uma altura de 50 metros. Então, vai haver barcos a entrar no Tejo, que podem passar debaixo da Ponte Vasco da Gama, mas não podem passar debaixo da ponte Chelas-Barreiro? É absurdo; a face inferior da ponte Chelas-Barreiro deverá estar, no mínimo, a 50 metros.
Mas porquê todas estas preocupações em baixar a altura da ponte? É que tal é necessário para viabilizar o plano da Rave (subsidiária da Refer para a alta velocidade) de instalar a estação do TGV na Gare do Oriente. Esta estação custou uma fortuna, embora o objectivo fosse apenas melhorar o antigo apeadeiro dos Olivais, quando da Expo'98. A Rave pretende, agora, à outrance, justificar o dinheiro gasto, instalando lá o TGV.
O problema é que, para a ponte Chelas-Barreiro ficar a uma altura de 50 metros, a linha do TGV, ao sair da ponte e virar para a direita para ir para a Gare do Oriente, teria de "descer" cerca de 30 metros para entroncar com a Linha de Cintura. Ora, tal obriga a uma obra complicadíssima e com grande impacto, que desencorajaria essa veleidade.
Segundo o competente e insuspeito especialista Pompeu Santos - Engenheiro civil membro conselheiro da Ordem dos Engenheiros, é errado instalar a estação do TGV na Gare do Oriente: o local é muito excêntrico e está já muito congestionado. A sua ampliação para nela instalar o TGV será caríssima (é quase como construir uma estação nova) e não há espaço para instalar a manutenção dos comboios, que, segundo a própria Rave, terão, assim, de ir ao Barreiro. Obriga, ainda, os comboios a atravessar Lisboa, com todos os problemas que isso acarreta.
O Engº Pompeu dos Santos afirma ainda que se a linha do TGV, ao sair da ponte, virar para a esquerda e entroncar com a Linha de Cintura, em Chelas, já não haverá problema, pois, nesse caso, só precisa de "descer" 15 metros. Além disso, Chelas fica logo à saída da ponte e há espaço para uma estação de raiz, bem como para o parque de manutenção dos TGV.
A localização da estação do TGV em Chelas evidencia ainda a conveniência em que a linha do TGV do Porto venha pela margem esquerda do Tejo e entronque com a linha de Madrid na zona do novo aeroporto, entrando as duas linhas conjuntamente em Lisboa pela ponte Chelas-Barreiro. Além de uma eficiência incomparável, esta solução permite dispensar a entrada do TGV pelo Norte de Lisboa, uma obra caríssima e com sérios problemas ambientais, e, assim, poupar mais de 1500 milhões de euros.
A TTT Chelas-Barreiro, ao ser construída para o comboio ir ao Parque das Nações terá que realizar uma curva monumental, implicando possivelmente com o conjunto monumental da Madre de Deus, e uma vez que entra em Lisboa mais ou menos entre as cotas 48,00 e 54,00 significa que ficará muito provavelmente a uns 10 metros dos edifícios e habitações.
A velocidade da travessia da ponte do comboio de alta velocidade e nas zonas populacionais e em Lisboa, deverá ser a uma velocidade de cerca de 80km, e portanto bastante devagar resultando em tempo perdido, e não justificando os elevados investimentos.
São apenas ALGUNS ARGUMENTOS QUE ENTENDEMOS PERTINENTES SOBRE AS VANTAGENS DA LOCALIZAÇÃO DA ESTAÇÃO DO TGV NAS OLAIAS VS ESTAÇÃO ORIENTE, que aqui deixamos para vossa análise, debate e consequentes comentários.
Bom fim de semana,
Zé do Barreiro.