DIVAGANDO SOBRE ALGUNS NÚMEROS …

Desta vez propomos que nos debrucemos sobre a análise de alguns números, que sabemos ser assunto algo fastidioso para alguns dos nossos leitores, mas que, neste momento, é importante fazer sobre os mesmos, uma conveniente reflexão.
Iremos fazer uma divisão.
PRIMEIRA - Apesar de terem passado um pouco mais de três anos, convido os meus Amigos a analisarem e reflectirem sobre o quadro que se apresenta na imagem e tirarem conclusões sobre o que se passa – entre outras Áreas – na Península de Setúbal e no Distrito de Setúbal.
É nosso entendimento que, nestes últimos três anos, a situação económica - financeira apresentada no quadro, não teve alterações significativas.
SEGUNDA – Iremos apresentar a situação concreta existente no Barreiro.
Ponto prévio - Pela enésima vez afirmo que sou militante do Partido Socialista com a quotização rigorosamente em dia e sê-lo-ei até que a minha alma se separe do meu corpo. Ponto final.
Não conheço, nunca falei – nem sequer alguma vez cumprimentei – com o actual Presidente da Câmara do Barreiro, Sr. Carlos Humberto ( embora isso não tenha relevância para aquilo que pretendemos apresentar neste Post, mas que fazemos questão de reforçar ).
Creiam – e é mesmo verdade - que nos dá uma enorme “dor de estômago” ter de escrever aquilo que iremos se seguida apresentar.
Ponto 1 - Vários leitores tem comentado - e muito bem - neste Blog que a Câmara do Barreiro não deu verbas/subsídios para o Grupo Carnavalesco e por isso não houve o habitual desfile pelas ruas do Barreiro, excepto em Coina, não dá nada ou tem dado muito pouco para o Luso F.C.; para o F.C. Barreirense; para o G.D. Fabril; para o Galitos; para o Silveirense. Só para mencionar estas históricas e ilustres Colectividade desportivas do Concelho.
Ponto 2 - Meus Amigos, os meus Camaradas Socialistas incluídos, digam-me francamente o que poderá fazer a Câmara do Barreiro com este negro panorama financeiro, conhecido após a Auditoria externa às contas da Autarquia, realizada até Outubro de 2005.
Ponto 3 - Valor das dívidas totais a 3ºs de curto prazo - 11.189.257,00 €.
A auditoria verificou 3.251.513,0 € de dívidas não orçamentadas - fora do orçamento - não cabimentadas, algumas delas nem estão registadas nos Serviços de Contabilidade da Câmara, dívidas estas a 30 Entidades !!!
Sendo de 2.277.260,0 € o total de encargos não cabimentados e sem registo na Contabilidade !!!
Será de referir que o valor dos encargos não cabimentados e sem registo na Contabilidade, calculado e disponibilizado pelos Serviços da autarquia em 30/11/2005, apresentava um valor de 1.500.161,0 €. Portanto o valor real detectado pela auditoria é superior em 777.099,0 € !!!
Dos 2.277.260,0 €, o valor de 1.800.296,0 € tem facturas já passadas à espera do respectivo pagamento e 476.964,0 € são encargos não comprometidos, não facturados ( sem facturas passadas ) e completamente fora do orçamento e à margem dos Serviços de Contabilidade !!!
Os 974.253,0 € restantes são o valor de trabalhos executados, concluídos, mas sem facturas passadas !!!
Como já se aperceberam, somente estamos a falar dos 3.251.513,0 €. Mas, atenção, esta divida total, que inclui também os compromissos assumidos, cabimentados e orçamentados, atinge os 13.862.249,0 € !!!
O endividamento à banca atingiu 25,5 milhões de Euros, o que significa que está esgotada a capacidade de endividamento da C.M.B., ou seja, não se pode, por Lei, solicitar mais empréstimos aos Bancos.
Sabemos que a Câmara está apagar, escrupulosamente, à Banca esta dívida. Já o fez em 2006 e continua a amortizá-la em 2007.
Terminando e pedido desculpas pela catadupa de números apresentada, pergunto –vos se com este panorama de dívidas a pagar, a Câmara ainda terá disponibilidade financeira para distribuir os merecidos subsídios a que têm direito as várias Colectividade existentes no Município ?
Para a vossa competente reflexão.
Zé do Barreiro.