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Amigo Diógenes,
Achei por bem elaborar um novo Post, digamos, como resposta aos teus dois comentários que te dignastes enviar para o Post anterior deste Blog.
É que, no meu entendimento, não fazia muito sentido postar num comentário – como eu queria, completo, com algum pormenor, aprofundando a gravíssima questão da divida interna e externa a que chegou o nosso País – a minha resposta, concretamente, ao teu ultimo comentário. Um Post novo sobre o assunto não só dá relevo à nossa interessante troca de opiniões como, também, permite que me “estique” naquilo que pretendo dizer.
Pois bem, não sei quais foram as tuas fontes que permitiram obter os números a fim de poderes redigir os teus dois comentários no Post anterior. Nem isso para mim é relevante.
Acredito nas tuas boas intenções, que te apoiaste e que te documentaste em informações que achaste fidedignas, aliás para mim és das poucas pessoas das minhas relações – aí uma dúzia - que considero ser honrado e sério. Ponto final.
Uma das razões para elaborar um novo Post sobre este assunto foi a possibilidade de inserir imagens – no caso, dois gráficos bastante elucidativos - o que, como bem sabes, seria impossível fazê-lo nos comentários.
Peço-te o favor que os analises com atenção ( sei que nem seria necessário fazer-te este pedido ) e peço-te, também, a paciência necessária para leres aquilo que irei escrever de seguida, que não é mais que uma análise – muito resumida, pretendo referir – desses mesmos gráficos, com umas palavras, aqui e ali, daquilo que eu penso, pessoalmente, sobre o responsável/responsáveis pela situação a que chegou o nosso País.
Cá vai.
Criou-se a ideia, nos últimos dias, que o importante agora é tentar arranjar soluções para o País e que não interessa encontrar culpados. O princípio poderia ser aceitável, não fosse o caso de termos como candidato a Primeiro-Ministro o actual Primeiro-Ministro.
Os gráficos apresentados nas imagens deveriam estar presentes na parede do escritório de todos os empresários e na sala de jantar de todos os portugueses. Eles representam a dívida pública portuguesa, em percentagem do PIB. Ou seja, a curva representa o quanto nós estamos a viver acima das nossas possibilidades e representa também, de uma forma directa, física e gráfica, a irresponsabilidade populista de quem nos governa.
Se repararmos bem, a nossa dívida pública esteve acima dos 60% do PIB antes dos anos 30, atingindo o pico da insustentabilidade em 1893, próxima dos 90%. Depois, foi baixando até cerca dos 15%, em 1975.
Os anos que se seguiram à revolução foram de grande consumismo e mudança de paradigma, levando a dívida a subir de forma exponencial até meados dos anos 80.
Em 2005, Portugal ainda apresentava valores de dívida pública inferiores a 60% do PIB, ou seja, no mesmo nível de 1930. Contudo, em 2005 Sócrates tomou posse como Primeiro-Ministro e a curva voltou a ultrapassar os 60%, galopando em seis anos de governação para os 97%, atingidos em 2010.
O recorde em endividamento de 88% do PIB que tinha sido batido em 1893 foi ultrapassado em 2008 e em apenas 3 anos (2007 a 2010) registou subidas apenas comparáveis em cinco anos entre 1980 e 1985 e em sete, entre 1863 e 1870.
Sim, estamos a falar do Século XIX. É preciso esclarecer que a escalada da dívida pública no final do Século XIX levou Portugal a ter que pedir uma renegociação da dívida, com perdão de parte da mesma e a consequente humilhação e descrédito internacional.
Mais de um século depois, Portugal ultrapassou, com Sócrates, em poucos anos, o limite razoável dos 60% do PIB, estourou o recorde de 88% - QUE TINHA MAIS DE 100 ANOS - e estabeleceu novos limites ( 97%, em 2010, soube-se agora). Isto significa, que se o país inteiro (empresas e pessoas) durante um ano inteiro entregasse aos credores tudo o que produz, abdicando de saúde, ensino, de comer, de luz eléctrica, de água e de tudo o resto, talvez conseguisse pagar o que deve.
Contudo, isso será uma impossibilidade por dois motivos: primeiro porque morreríamos todos e depois porque isso provocaria um arrefecimento da economia e, logo, não conseguiríamos produzir riqueza para entregar aos credores.
Facilmente se percebe que chegámos ao ponto da insustentabilidade.
Quando ouvimos dizer, todas as semanas, com enorme satisfação, que o Estado conseguiu colocar mais 1,5 mil milhões ao juro de 7, 8 ou 9% nos mercados internacionais, estamos a ver este gráfico subir, a pique, em direcção ao céu. E estamos a tornar a equação cada vez mais complicada, porque se imaginarmos que em 1974 a nossa dívida pouco ultrapassava os 10%, começamos agora a aproximar-nos do absurdo de termos que pagar isso, já nem em dívida, mas apenas em juros (a dívida continuaria lá ).
A quem conseguir, perante esta evidência, explicar-me o que é que isto tem a ver com os acontecimentos do último mês e meio, da crise política e do chumbo do PEC, eu dou o já habitual presunto de Lamego.
A quem conseguir explicar-me como vamos sair deste imbróglio criado pelo Sócrates com as suas Auto-Estradas, comboios, TGV’s e Aeroportos eu dou dois presuntos e a quem me voltar a dizer que não é preciso procurar apontar culpados para o Estado a que chegámos, eu chamarei estúpido.
E pergunto, a culpa é dos mercados, que agora nos sobem os juros e não querem emprestar? Ou será das agências de rating, que conhecem estes gráficos ?
Ou ... será nossa, porque elegemos o Engº José Sócrates para Primeiro-Ministro ?
Este texto já vai longo, por isso fico por aqui.
Aquele grande abraço para ti, Diógenes. Sempre.
Zé do Barreiro.