
Meus Amigos,
Nas últimas duas semanas o Barreiro tem estado, digamos, no centro das atenções, sendo “protagonista” de acontecimentos importantes que se estão a desenvolver no domínio da A.M.L., mais concretamente a sul do Tejo.
Casos do N.A.L., do TGV e da Ponte Chelas –Barreiro.
Aos Leitores – muito atentos - do nosso Blog tais acontecimentos não têm passado despercebidos.
É só – e pasme-se – os meus Amigos se darem ao trabalho de consultarem os comentários dos nossos últimos 4 – QUATRO – Posts !!!
Como facilmente se aperceberão, devido à excelente qualidade e à consequente extensão de alguns textos, os Posts poderão ficar “intragáveis” e fastidiosos para quem os lê e pretende fazer uma análise, mesmo superficial que seja, de assuntos de importância inquestionável para o Barreiro.
Nesta linha de raciocínio, recebemos um comentário ( de qualidade inegável e extensão a condizer ) de um Leitor perspicaz e muito atento a “fenómenos” que se estão a passar – ou que se poderão vir a passar – na nossa terra, relativamente a possíveis decisões e a cenários mais ou menos rocambolescos que poderão acontecer eventualmente no NAL, TTT, TGV e afins.
No nosso entendimento, este texto poderia “perder-se” na “floresta” de comentários já publicados nos nossos Posts anteriores. E o assunto que aborda é demasiado importante para que todos o analisemos e estudemos convenientemente com muita atenção.
São as razões porque o publicamos na integra e o “promovemos” a Post.
Cá vai:
«“ Caro Zé
Então, cá estou eu para comentar os ditos do Sr. Gonçalo Rego no Jornal Margem Sul do passado dia 2. Vai ser longo, mas tem que ser.
Ressalvo, desde já, que não sou um defensor do NAL na Ota. Para mim ele deverá ser feito no local onde, ponderadamente, reúna as melhores condições tendo em conta as seguintes premissas:
- Vantagem económico-financeira;
- Aspectos ambientais;
- Aspectos de planeamento e desenvolvimento do território, especialmente da AML, na suas várias vertentes;
- Articulação com a rede transeuropeia de alta velocidade
Porém, tenho para mim, que a proposta da CIP, por muito "pia" e "santa" que possa parecer, não tem como epicentro das preocupações aquelas que diariamente são enfatizadas pelos seus mentores, ou seja, o muito menor custo da construção do NAL em Alcochete.
Diria mais: o NAL em Alcochete não é, a meu ver, o real motivo de toda esta movimentação e altruísmo da CIP. É, tão só, um argumento. De peso, reconheço! Mas argumento.
Senão vejamos:
A CIP começou por questionar a localização do NAL. Fez um primeiro estudo que continuava a restringir-se a esta questão.
Agora apresenta um estudo que, para além do NAL fala em túneis do Beato para o Montijo e ponte/túnel Algés para a Trafaria. Reordena e relocaliza ainda, de uma penada, a linha de TGV.
Não vou aqui debater as questões que uma coisa destas implicaria em termos de ordenamento do território, ambiente etc., muito especialmente em toda a região de Lisboa e Vale do Tejo. São tantas, tão complexas e tão gravosas que isso daria pano para manga. Acredite! Por alguma razão, tanto quanto pude informar-me, elas são totalmente ignoradas ou superficialmente abordadas pelo estudo da CIP.
Ficar-me-ei pelo seguinte:
1 - O túnel Beato/Montijo iria desembocar na margem Sul na actual Base Aérea que, com o NAL em Alcochete terá que ser desactivada.
2 - O túnel/ponte Algés/Trafaria chega ali, mesmo em cima, da Costa da Caparica e, logo, toda a costa até ao Cabo Espichel.
3 - Existe uma zona, ali mesmo ao lado do local sugerido para o NAL em Alcochete, chamada Infantado com o projecto Portucale, sobejamente conhecido, para além da também conhecida urbanização de Stº. Estêvão. Curiosamente, ou talvez não, a zona onde a CIP prevê o entroncamento das várias linhas de AV. Há ainda toda a zona de Rio Frio, Poceirão, Águas de Moura e, claro, a Tróia.
Já se adivinha o que vou dizer de seguida. Perante tudo isto, será difícil ter as maiores dúvidas sobre as reais intenções da CIP ?
Vejamos alguns factos. A margem Sul, nas suas zonas ainda não urbanizadas é, pela sua natureza topográfica e pela abundância de espaço disponível, a zona de expansão de Lisboa mais desejada. Para isso basta construir qualquer acessibilidade que seja e é ver os prédios a crescerem como cogumelos. Foi assim com a ponte Salazar (hoje 25 de Abril) - vejam-se os concelhos de Almada, Seixal e até Sesimbra. Voltou a ser assim com a ponte Vasco da Gama (Montijo, Alcochete e até Palmela). Porque acha que, então a ponte não foi feita para o Barreiro? Pois é! Já não havia espaço para o betão. Pelo menos o espaço que eles queriam!
Com estas duas acessibilidades e a relocalização das redes ferroviárias tal como a CIP as apresenta, abre-se um enorme espaço para aquilo que eles (os associados da CIP) mais desejam. São as centenas de hectares da Base Aérea do Montijo, ali bem junto ao Rio com uma esplêndida vista sobre a margem Norte; é toda uma costa da Caparica ao Cabo Espichel para grandes projectos turísticos e imobiliários; é todo o interland de Alcochete a Setúbal e do Montijo até Mora e ainda a Tróia.
Haverá melhor el dorado, melhor árvore das patacas? O que significa o território da Quimiparque comparado com tudo isto?
Dir-me-á que na Quimiparque também existem oportunidades. É verdade. Mas para além da questão da dimensão há um outro pormenor nada desprezável: Na Quimiparque poderão ser investidores, no que preconizam são os promotores. Faz toda a diferença! Não acha?
E entretanto o Barreiro fica ali, mais uma vez encravado, só porque não é atractivo, só porque é um concelho "cheio", "construtivamente" falando. É a "guetização" completa. É uma aberração em termos de ordenamento e desenvolvimento do território. Foi a razão pela qual o ministro da respectiva pasta, do PSD, se demitiu quando o Eng. Ferreira do Amaral decidiu a construção da Ponte Vasco da Gama. Ainda se recorda como era toda a região do Montijo e Alcochete. Passe por lá agora. Nove anos depois é um amontoado de prédios e mais prédios, rotundas e mais rotundas. Onde estão as infra-estruturas de serviço público (escolas, creches/infantários, lares, redes de transporte, etc.)? Em contrapartida os hipers e sucedâneos proliferam. Não é verdade?
Pois bem, é isto que de facto eles querem. E sabem que só com o NAL conseguem. Por isso digo que o NAL é um argumento e não o motivo, é o meio e não o fim. Vá-se convencendo disso!
Posto isto, um pequeno comentário à afirmação de Gonçalo Rego: "QUANTO À HIPÓTESE DE O BARREIRO "PERDER" A SUA PONTE É UMA NOTÍCIA BOA DE MAIS PARA EMBANDEIRAR EM ARCO. COM UM BOCADO DE SORTE AINDA DEIXARÃO EM PAZ ESTA PACATA CIDADE".
Começarei por dizer que, consigo, o Barreiro não precisa de inimigos. Com amigos destes!...
Depois a questão da "paz" da "pacata cidade". Não consigo perceber porque acha que a pacatez, ou melhor, paz da pacatez (perdoe-me a cacofonia) é para si algo a enaltecer e a preservar! Palavra que não percebo! Será que pacatez é para si sinónimo de desenvolvimento? A paz que procura na pacatez é alguma espécie de voto de recolhimento?
Meu caro Senhor, se são esses os seus sentimentos, então procure o recolhimento na "paz" e na "pacatez" de uma qualquer aldeia mais ou menos exótica ou, então, se preferir, nalgum mosteiro onde ainda isso seja possível.
Lá dizia o Prof. Oliveira Salazar: "... pobres mas honrados!"
Por fim, gostaria que explicasse melhor o seguinte:
Porque razão os estudos agora apresentados por "empresários" são mais "sérios" que os anteriormente feitos para as várias localizações possíveis (Ota, Alcochete, etc.)? Não foram eles também feito por técnicos? Técnicos, à partida, tão competentes quanto os contratados agora pela CIP. Ou será que o Sr. conhece uns e outros e tem competência específica para os avaliar? Se não, então faça o favor de dar o benefício da dúvida.
Ainda quanto à questão do rigor e da qualidade técnica dos estudos. Deixe-me dizer-lhe, até porque também é a minha actividade profissional há longos anos, que qualquer estudo vale o que vale. É isso mesmo! E vale o que vale, não porque os técnicos são mais ou menos capazes; mais ou menos competentes; mais ou menos qualificados. Vale o que vale porque os técnicos fazem estudos orientados para objectivos concretos. Objectivos esses que, em regra, não são eles a determinar, mas fixados por alguém que, naturalmente pretende alcançar algum benefício, seja ele de que natureza for. Poderá não ser "politicamente correcto" dizer isto, mas é a mais pura das verdades. O resto é música agradável para embalar o "zézinho".
Portanto, meu caro Senhor, não nos deixemos embalar por contos de fadas e manifestações exacerbadas de altruísmo e de "nacional porreirismo". Como diria o ilustre Prof. João César das Neves, a verdade é que "não há almoços grátis".
A referência às "universidades de pacotilha" é, neste contexto, de manifesto mau gosto e uma mera expressão discursiva de intervenção e acção política que seria suposto o Senhor não ter na qualidade em que escreve. Portanto, façamos de conta que nem lemos e adiante! “» - Final da transcrição.
Então, caríssimos Amigos, o “assunto” merece ou não merece ser analisado, estudado e … comentado, muito atentamente ?
Como este Post é longo, que tal aproveitarem este fim de semana para, com calma, o descascarem com toda a tranquilidade ?
Fica a sugestão.
As efusivas saudações do sempre vosso Amigo,
Zé do Barreiro.